Me cai uma dúvida sempre ao me ver do outro lado da porta, ao atravessar a esquina, ao deixar-me entrar num lugar que não conheço e senta-me na cadeira mais distante de todos aqueles olhares curiosos que não eram destinados a mim. – "O que fazer agora? Quem eu era antes desses acontecimentos todos? Aonde ficou meu sorriso? Deixei-o se perder junto àquele brinco que tanto amava?".
(...)
Meus pensamentos não se encaixavam mais, a movimentação lá fora não parecia se adequar a todo aquele ar sombrio e sem vida que percorria tudo que estava ao meu alcance.
Eu não sabia mais o meu nome. O deixei sumir junto aos gritos e todo resto de voz que eu tinha. Eu não sabia mais aonde morava, isso ficou com ele.
Direita ou esquerda? – "Não, acho melhor continuar onde estou, talvez assim as perguntas se cessam e a lucidez me encontre novamente."
(...)
O desespero pareceu sussurrar monstruosidades ao meu ouvido. Ninguém pareceu vê-lo ali, sentado ao meu lado, ou talvez não se importaram com tal cena. – "Devo ignorá-lo? Ou ouvi-lo atentamente?"
(...)
"A luz do poste a frente, se refletindo sobre aquela vidraça..." – Talvez isso tenha mais sentido do que todo esse turbilhão de sentimentos enloquecedores, atropelando-se uns aos outros, ensurdecedores. Já não consigo dá-lhe nomes, não mais. São incógnitas pra mim. Tão misteriosos quanto aquele rapaz que deixei do outro lado daquela porta, horas atrás.
Não, não faz sentido, não mais.
(...)
I won't sleep tonight.

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