sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"How many hearts will die tonight?"

Esses são rascunhos de uma vida sem meio e nem fim.

Me cai uma dúvida sempre ao me ver do outro lado da porta, ao atravessar a esquina, ao deixar-me entrar num lugar que não conheço e senta-me na cadeira mais distante de todos aqueles olhares curiosos que não eram destinados a mim. – "O que fazer agora? Quem eu era antes desses acontecimentos todos? Aonde ficou meu sorriso? Deixei-o se perder junto àquele brinco que tanto amava?".

(...)

Meus pensamentos não se encaixavam mais, a movimentação lá fora não parecia se adequar a todo aquele ar sombrio e sem vida que percorria tudo que estava ao meu alcance.
Eu não sabia mais o meu nome. O deixei sumir junto aos gritos e todo resto de voz que eu tinha. Eu não sabia mais aonde morava, isso ficou com ele.
Direita ou esquerda? "Não, acho melhor continuar onde estou, talvez assim as perguntas se cessam e a lucidez me encontre novamente."

(...)

O desespero pareceu sussurrar monstruosidades ao meu ouvido. Ninguém pareceu vê-lo ali, sentado ao meu lado, ou talvez não se importaram com tal cena. "Devo ignorá-lo? Ou ouvi-lo atentamente?"

(...)

"A luz do poste a frente, se refletindo sobre aquela vidraça..." Talvez isso tenha mais sentido do que todo esse turbilhão de sentimentos enloquecedores, atropelando-se uns aos outros, ensurdecedores. Já não consigo dá-lhe nomes, não mais. São incógnitas pra mim. Tão misteriosos quanto aquele rapaz que deixei do outro lado daquela porta, horas atrás.
Não, não faz sentido, não mais.

(...)

I won't sleep tonight.

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